Testes genéticos e canetas emagrecedoras: o que a ciência realmente diz?
Por Redação
21/07/2026 às 14:00

Foto: VEJA
Estudos sobre genética e medicamentos para emagrecimento revelam limitações nas promessas de eficácia.
Recentemente, surgiram anúncios de testes de DNA que prometem otimizar o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida, conhecidos como canetas emagrecedoras. A proposta é atrativa: um exame que auxiliaria médicos e pacientes na escolha da dose ideal e na minimização de efeitos colaterais.
No entanto, a realidade científica é menos impressionante do que a publicidade sugere. Uma pesquisa significativa realizada pelo 23andMe Research Institute, com quase 28 mil participantes, e publicada na revista Nature, identificou uma variante no gene do receptor de GLP-1 que está relacionada a uma leve perda de peso adicional, de aproximadamente 0,76 kg por cópia do alelo favorável. Mesmo quando se considera essa informação genética junto a fatores clínicos como idade, sexo e IMC, apenas cerca de 25% da variação na resposta ao tratamento é explicada. Isso implica que 75% das razões pelas quais algumas pessoas emagrecem mais que outras ainda são desconhecidas.
Além disso, a mesma variante genética associada à perda de peso também pode provocar efeitos adversos, como náuseas e vômitos. Aqueles que apresentam variantes de risco em dois genes diferentes têm uma probabilidade significativamente alta de apresentar vômito ao usar tirzepatida.
Portanto, prever uma “melhor resposta” genética pode, na prática, implicar em prever mais efeitos colaterais. Outro ponto importante é que a definição de “boa resposta” pode variar: para alguns, perder 15% do peso é um sucesso, enquanto para outros, a normalização da glicemia ou a redução do risco de infarto são objetivos mais relevantes, independentemente da balança.
Um estudo recente com pacientes cardiovasculares evidenciou que esses medicamentos podem oferecer benefícios à mortalidade e proteção cardíaca, mesmo sem uma ligação direta com a quantidade de peso perdido, sugerindo que sua ação vai além do emagrecimento.
Embora a pesquisa genética seja promissora e possa, no futuro, auxiliar na personalização dos tratamentos, há um descompasso entre o que a ciência pode oferecer atualmente e as mensagens veiculadas ao público. Por isso, é essencial conversar com um médico, que pode avaliar a história clínica do paciente, seus objetivos e ajustar o tratamento de forma adequada, sem depender de promessas genéticas que ainda não são sustentadas pela ciência.
Fonte: VEJA
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