Estudo aponta limite seguro de consumo de café para saúde do coração
Por Redação
21/07/2026 às 01:16

Foto: VEJA
Uma revisão da Associação Americana do Coração indica que o consumo moderado de café pode ser benéfico para a saúde cardiovascular.
O café é uma bebida cotidiana para milhões de brasileiros, mas sua relação com a saúde do coração gera dúvidas. Uma nova revisão da Associação Americana do Coração (AHA), publicada na revista Circulation, investigou as evidências mais recentes sobre esse tema.
De acordo com a pesquisa, para a maioria dos adultos, o consumo moderado de café é seguro e pode trazer benefícios à saúde cardiovascular. A revisão sugere que a ingestão de até 400 miligramas de cafeína por dia, equivalente a três a cinco xícaras de café preto coado de 240 ml, é considerada segura e está associada a um menor risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e diabetes tipo 2.
Gregory M. Marcus, cardiologista da Universidade da Califórnia em São Francisco e coordenador do estudo, afirma que as evidências mostram que o consumo moderado de café não aumenta o risco cardiovascular para a maioria dos adultos.
Entretanto, a revisão destaca uma diferenciação importante entre o café e outras fontes de cafeína, como bebidas energéticas, as quais, em doses elevadas, podem elevar a pressão arterial e aumentar o risco de arritmias. Bebidas energéticas podem conter de três a quatro vezes mais cafeína por volume do que o café tradicional.
Ainda que o café ofereça potenciais benefícios, os pesquisadores alertam que muitos estudos são observacionais e não estabelecem uma relação de causa e efeito. Além disso, o café contém diversos compostos bioativos, dificultando a identificação do papel isolado da cafeína.
Os padrões observados na pesquisa indicam que consumir de duas a quatro xícaras diárias pode estar ligado a um menor risco de doenças cardíacas, enquanto uma a três xícaras não aumentam o risco de fibrilação atrial, embora possam estar associadas a um aumento de extrassístoles ventriculares, que são batimentos cardíacos prematuros geralmente benignos.
O estudo também ressalta que nem todos os tipos de café possuem o mesmo perfil de saúde. O cafestol, um composto encontrado nos grãos, pode elevar o colesterol LDL, e está presente em métodos de preparo sem filtro, como prensa francesa e café turco, enquanto o café filtrado e o instantâneo quase não contêm essa substância.
Embora o limite de 400 mg de cafeína seja considerado seguro para a maioria, a reação à cafeína pode variar conforme genética, idade, condições de saúde, medicamentos e metabolismo. Portanto, o que é seguro para uma pessoa pode não ser para outra. É aconselhável que se discuta o consumo de cafeína com um profissional de saúde em caso de dúvidas.
Fonte: VEJA
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