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Nova lei permite uso de spray de pimenta para mulheres em situações de agressão
Nova lei permite uso de spray de pimenta para mulheres em situações de agressão
Por Redação
02/08/2026 às 08:00

Foto: VEJA
A legislação sancionada oferece uma alternativa de defesa para mulheres, mas deve ser utilizada com cautela.
Em um contexto eleitoral onde a segurança pública se destaca como a principal preocupação da população, especialmente entre as mulheres, o governo brasileiro sancionou uma nova lei que permite o uso de spray de pimenta por mulheres como forma de defesa em casos de agressões físicas e sexuais. Essa medida surge diante do alarmante aumento dos feminicídios, que cresceram 314% na última década, conforme apontado pelo novo Atlas da Violência.
A legislação foi impulsionada por políticos da direita no Congresso e já havia sido aprovada em cinco estados: Rio de Janeiro, Paraná, Rondônia, Paraíba e Santa Catarina. O uso do spray, que é uma arma não letal, pode oferecer uma alternativa de proteção, embora não substitua políticas de segurança mais amplas. A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, ressalta que as mulheres estão alarmadas com a situação atual da violência.
O presidente Lula havia hesitado em sancionar a lei, preferindo focar em um pacote de proteção que endurece as punições para agressores. Contudo, para evitar conflitos com o Congresso, ele autorizou a medida, que agora permite a compra do spray apenas para maiores de 18 anos, mediante a apresentação de documento de identidade, comprovante de endereço e atestado de antecedentes criminais.
O spray deve ser usado de maneira moderada, sendo necessário cessar o jato assim que o agressor estiver neutralizado. Os frascos têm uma capacidade máxima de 50 mililitros e a lei prevê um programa de capacitação sobre o uso adequado e os limites legais da legítima defesa, embora essa regulamentação ainda não tenha sido definida.
Especialistas alertam que o uso inadequado do spray pode aumentar os riscos para as vítimas e recomendam que ele não seja utilizado em situações de assaltos à mão armada. A advogada Flávia Ribeiro, presidente da OAB Mulher no Rio, carrega o spray por precaução, embora nunca tenha precisado usá-lo.
Estudos indicam que a aceitação da nova medida é alta entre as mulheres, com 73% de aprovação, e 95% entre as jovens, que são as mais afetadas por assédios. Contudo, a eficácia do spray depende do uso responsável e cuidadoso, evitando situações em que seu uso possa ser ineficaz ou perigoso.
A nova lei representa uma ação pontual em resposta a uma questão complexa de violência contra a mulher, mas não deve ser vista como uma solução abrangente para os problemas de segurança e misoginia na sociedade.
Fonte: VEJA
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