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Harley Henriques, que atua na causa há quase 40 anos, discute estigmas durante a Conferência Internacional de Aids no Rio de Janeiro.
Apesar dos avanços na ciência que transformaram o HIV de uma sentença de morte em uma condição tratável, o preconceito ainda é um obstáculo significativo no combate à epidemia. Durante a AIDS 2026, Conferência Internacional de Aids, Harley Henriques, fundador e coordenador-geral do Fundo Positivo, ressaltou que o estigma continua a impedir muitas pessoas de buscar serviços de saúde.
"Tivemos avanços, mas há um vírus ainda muito difícil de eliminar: o vírus do estigma. Ele faz com que as pessoas não procurem o serviço de saúde, não façam adesão à PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e descubram o diagnóstico tardiamente", disse Henriques.
Ativista desde 1988, ele se envolveu no movimento aos 19 anos, após temer que tivesse contraído o HIV. Após um teste negativo, decidiu continuar lutando pela causa e ajudou a fundar o GAPA-BA. Ele relembra que, em sua época, havia casos de pessoas que eram alvos de violência, como terem suas casas incendiadas por medo da transmissão do vírus, e que o estigma, embora tenha diminuído, ainda persiste.
Henriques, que tem participado de diversas Conferências Internacionais de Aids ao longo das últimas décadas, observou a evolução de um cenário sem tratamentos eficazes para uma realidade com medicamentos diários e a PrEP disponível. Entretanto, ele enfatiza que os avanços científicos devem ser acompanhados por políticas públicas adequadas.
"Não é só uma questão de novas tecnologias existirem. É também uma escolha política para que elas cheguem a quem mais precisa. Existem dois desafios permanentes na aids: a desigualdade e o acesso", alertou.
Esse alerta se torna ainda mais relevante diante da crise global de financiamento, que já resulta em cortes em programas de prevenção, testagem e tratamento, especialmente em países que dependem da cooperação internacional.
Fundado em 2015, o Fundo Positivo é um fundo privado, autônomo e independente que financia organizações e projetos voltados à prevenção, acolhimento e cuidado de pessoas que vivem com HIV. Sua atuação abrange comunidades ribeirinhas, regiões de fronteira no Norte do Brasil e áreas do semiárido e Sul do país.
Fonte: VEJA
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