
Foto: A Tarde
O consumo compulsivo de pornografia está se tornando um problema crescente, afetando relacionamentos e a saúde mental. Especialistas alertam sobre os sinais de vício e suas consequências.
O vício em pornografia é um tema que vem ganhando destaque, especialmente após desabafos de figuras públicas como o ex-BBB Eliezer, que afirmou que essa dependência pode devastar casamentos e contribuir para comportamentos criminosos entre adolescentes. A sexóloga clínica Mayara Magalhães comparou o vício em pornografia a outros tipos de dependências, como drogas e jogos de azar, ressaltando que esse problema tem se tornado mais frequente em consultórios.
Segundo especialistas, a pornografia sempre esteve presente na sociedade, desde pinturas rupestres até as plataformas digitais atuais, que facilitam o acesso ao conteúdo. De acordo com dados do site Pornhub, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de acessos a esse tipo de material, atrás apenas dos Estados Unidos, México e Filipinas.
Mayara Magalhães explica que o vício se caracteriza pela liberação intensa e rápida de dopamina, que faz com que o indivíduo busque conteúdos cada vez mais estimulantes para alcançar o mesmo nível de prazer. Ela observa que esse acesso facilitado torna a recusa mais difícil.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Papo de Homem em 2025 revelou que um em cada cinco meninos brasileiros de 13 a 17 anos se considera viciado em pornografia ou games. Além disso, um estudo de 2018 apontou que 76% dos 22 milhões de brasileiros que consomem pornografia são homens.
A psicóloga Lorena Orleans destaca que o vício em pornografia pode levar a disfunções sexuais, insegurança, dessensibilização do prazer e perda de interesse na parceira. Ela alerta para a importância de reconhecer os sinais de alerta, como a interferência na rotina e o uso da pornografia como forma de lidar com a ansiedade.
Para aqueles que identificam esses sinais, é essencial buscar ajuda profissional. O tratamento pode incluir terapia comportamental, que ajuda a entender as causas do vício e a desenvolver novos hábitos. Orleans também enfatiza a relevância de uma rede de apoio que promova um diálogo aberto e sem julgamentos.
Embora o vício em pornografia possa ser prejudicial, as especialistas afirmam que o consumo moderado pode ser saudável, permitindo autoconhecimento e exploração de desejos. O tema também foi abordado em uma audiência pública no Senado em 2023, onde foram discutidos os efeitos negativos do vício, como aumento da ansiedade e diminuição da satisfação sexual nos relacionamentos.
Fonte: A Tarde
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