Primeira diretriz brasileira define quem deve fazer reposição de testosterona
Por Redação
04/09/2026 às 06:00

Foto: VEJA
Novo consenso médico esclarece os critérios para o uso do hormônio, destacando a importância de evitar abusos. Tratamento é indicado para casos específicos, como o hipogonadismo.
A testosterona tem sido amplamente utilizada, impulsionada por influenciadores e profissionais de saúde com credibilidade duvidosa, sendo associada a benefícios como aumento de massa muscular, disposição e libido. Entretanto, o uso indiscriminado do hormônio pode acarretar graves riscos à saúde, como danos ao coração e fígado.
Para enfrentar essa situação, foi lançado o primeiro consenso brasileiro sobre a reposição de testosterona, elaborado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS) e pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O documento, baseado em diversas pesquisas, estabelece critérios para identificar quem realmente necessita do tratamento hormonal, quais são os níveis que indicam deficiência e o melhor momento para realizar exames, que deve ser entre 7h e 10h da manhã.
Embora a diretriz não aborde os riscos do uso estético da testosterona, já amplamente reconhecidos e proibidos pelo Conselho Federal de Medicina, seu objetivo é informar tanto a população quanto os profissionais de saúde sobre a necessidade de reposição. O endocrinologista Alexandre Hohl, presidente da ABEMSS, ressalta que é essencial reconhecer os homens que realmente têm deficiência hormonal, pois isso pode impactar negativamente sua qualidade de vida.
A condição conhecida como hipogonadismo afeta cerca de 5% dos homens entre 40 e 80 anos e se caracteriza pela produção inadequada de testosterona, que não está necessariamente relacionada ao envelhecimento. Os sintomas incluem redução do desejo sexual e dificuldades de ereção. Além disso, o consenso esclarece que a queda hormonal relacionada à idade é mínima, cerca de 1,6% ao ano, e não deve ser confundida com a menopausa feminina, que implica uma redução hormonal significativa.
Para os homens diagnosticados com hipogonadismo, a reposição de testosterona nem sempre é a solução mais adequada, especialmente se a condição estiver ligada à obesidade. Hohl destaca que entre 30% e 50% dos homens obesos podem apresentar hipogonadismo, e a perda de peso pode reverter essa deficiência. O tratamento hormonal tem contraindicações, como histórico de câncer de próstata ou infarto recente, e não deve ser visto como um suplemento para melhorar o desempenho físico e sexual sem justificativas médicas concretas.
Com essa nova diretriz, os brasileiros dispõem de orientações claras sobre o uso seguro da testosterona, promovendo uma abordagem mais responsável e informada sobre a reposição hormonal.
Fonte: VEJA
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