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Iniciativa integra palmeira juçara ao cultivo de chá para restaurar a Mata Atlântica
Iniciativa integra palmeira juçara ao cultivo de chá para restaurar a Mata Atlântica
Por Redação
16/10/2026 às 16:30

Foto: VEJA
Projeto busca recuperar áreas degradadas no Vale do Ribeira, em São Paulo, por meio de sistemas agroflorestais.
No Vale do Ribeira, São Paulo, um projeto inovador está promovendo a adoção de sistemas agroflorestais que combinam o cultivo de chá-da-índia com a palmeira juçara e outras espécies nativas. Esta iniciativa, conhecida como Projeto SAF Juçara, é coordenada pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), e tem como objetivo recuperar áreas anteriormente utilizadas para plantação que estavam abandonadas.
Desde o seu início em 2014, mais de 100 mil mudas de juçara foram plantadas em mais de 100 hectares, beneficiando 64 agricultores de municípios da região, como Sete Barras, Registro e Cananeia. Os coordenadores do projeto, Ocimar José Baptista Bim e Luís Alberto Bucci, destacam que os sistemas agroflorestais permitem a combinação de espécies agrícolas e florestais, promovendo a recuperação ambiental e aumentando a diversidade nas propriedades rurais.
O modelo adotado integra a juçara a cultivos já existentes, como chá e banana, melhorando as condições do solo e fortalecendo a produção agrícola. Ocimar enfatiza que essa integração cria sistemas mais equilibrados e sustentáveis, beneficiando tanto a conservação da Mata Atlântica quanto a geração de produtos com maior valor agregado para os agricultores.
Entre janeiro e março de 2026, o projeto avançou para uma nova fase, com o plantio de 6 mil mudas de palmeira juçara e 800 mudas de espécies nativas, principalmente em Cananéia e em uma propriedade em Pariquera-Açu. Essas áreas estão localizadas na Floresta Ombrófila Densa e abrangem regiões ecologicamente significativas.
Um caso de sucesso é o Sítio Yamamaru, em Sete Barras, onde a família Yamamaru retomou a produção de chá após anos de abandono das atividades. Com a ajuda do IPA, eles implementaram o SAF e agora cultivam chá em consórcio com a palmeira juçara, que oferece sombreamento natural e melhora a qualidade do produto. A bióloga Miriam Yamamaru ressalta que o modelo agroflorestal não só permite a produção sustentável, mas também promove a conservação ambiental.
Além do cultivo de chá, a propriedade diversificou suas atividades com palmito-pupunha, lichia e mandioca, além de desenvolver o turismo rural, onde os visitantes podem conhecer o processo de produção do chá e participar de degustações.
O Projeto SAF Juçara também se dedica à formação de agricultores e estudantes, promovendo visitas às áreas de cultivo para ensinar sobre a importância da produção sustentável. O projeto conta com a colaboração de várias instituições e organiza anualmente um investimento médio de 60 mil reais, destinado à manutenção, aquisição de mudas e assistência técnica.
Fonte: VEJA
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