Cresce a preocupação com o câncer de pulmão entre mulheres não fumantes
Por Redação
03/09/2026 às 12:00

Foto: VEJA
O câncer de pulmão, antes visto como uma doença de fumantes, apresenta aumento entre mulheres sem histórico de tabagismo. Entenda as causas e implicações dessa mudança.
Historicamente, o câncer de pulmão era considerado uma doença que afetava principalmente fumantes, especialmente homens. No entanto, esse cenário está mudando, com um aumento significativo de casos entre mulheres que nunca fumaram. Em diversas partes do mundo, como no Leste Asiático, entre 20% e 50% dos casos em mulheres ocorrem em não fumantes. Nos Estados Unidos, essa porcentagem varia entre 10% e 20%, enquanto na Ásia, supera 30%. No Brasil, aproximadamente 15% dos casos registrados pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) não estão ligados ao tabagismo.
No Brasil, o câncer de pulmão é a segunda causa de morte por câncer entre mulheres, ficando atrás apenas do câncer de mama, com uma mortalidade maior na região Sul. Globalmente, essa doença é a principal causa de óbito por câncer no sexo feminino.
Pesquisas estão investigando fatores de risco além do tabagismo, como a poluição do ar por partículas finas (PM2,5), a exposição à fumaça de combustíveis em cozinhas mal ventiladas e a presença de radônio, um gás radioativo natural. Um estudo realizado em Xangai indicou que a incidência de câncer de pulmão era maior entre esposas de casais não fumantes em comparação com os maridos, com uma razão de incidência de 1,57.
Geneticamente, a maioria dos tumores diagnosticados nessas pacientes são adenocarcinomas, frequentemente com mutações específicas. Uma metanálise envolvendo mais de 115 mil pacientes revelou que a prevalência de mutações no gene EGFR é de 32,3%, sendo mais comum em mulheres e em não fumantes.
Esses tumores podem ter comportamentos distintos em comparação aos associados ao tabagismo, possibilitando tratamentos mais direcionados. Questões hormonais e biológicas relacionadas ao sexo também estão sendo exploradas, embora as evidências ainda sejam incipientes. Há indícios de que mulheres podem ser mais suscetíveis aos carcinógenos presentes no tabaco, com estudos sugerindo que, para a mesma carga tabágica, o risco de câncer de pulmão pode ser maior entre elas, embora essa questão ainda seja debatida.
Outro desafio é a percepção clínica histórica sobre a doença. Como o câncer de pulmão é fortemente associado ao tabagismo, não fumantes com sintomas como tosse persistente podem não considerar essa possibilidade, assim como seus médicos. Os programas de rastreamento geralmente focam em fumantes, o que deixa as mulheres não fumantes fora dos critérios de risco.
Além disso, sinais relacionados ao câncer de pulmão, como perda de peso ou tosse com sangue, costumam aparecer apenas em estágios avançados, dificultando o diagnóstico precoce. Contudo, há avanços na abordagem do câncer de pulmão, e é essencial aumentar a conscientização e aprimorar os tratamentos. A personalização do cuidado pode permitir que o rastreamento seja guiado por fatores de risco individuais, como ambiente, histórico familiar e perfil genético, em vez de apenas considerar o histórico de tabagismo.
Fonte: VEJA
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