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A Anvisa autorizou o uso do Onivyde como primeira linha de tratamento para câncer de pâncreas metastático.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana uma nova indicação para o tratamento de câncer de pâncreas, que promete aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O medicamento Onivyde (irinotecano lipossomal peguilado) agora é recomendado como a terapia inicial para casos de metástase, ou seja, quando o câncer já se espalhou pelo corpo, em pacientes que não receberam tratamento anterior.
A decisão da Anvisa foi baseada nos resultados do ensaio clínico NAPOLI 3, publicado no periódico científico The Lancet. O tratamento é específico para pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático, a forma mais comum e agressiva do tumor, e deve ser administrado em combinação com oxaliplatina, 5-fluorouracil e leucovorina.
A aprovação já havia sido concedida nos Estados Unidos e na Europa. Anteriormente, o Onivyde no Brasil era indicado apenas para pacientes cujo tratamento com gencitabina havia falhado.
Pedro Uson, oncologista do Einstein Hospital Israelita e do Hospital do Coração (HCor), destacou a importância dessa nova opção. "Faz muitos anos que não temos novas opções de tratamento para o câncer de pâncreas. Essa aprovação é significativa para pacientes que precisam de medicamentos mais eficazes", afirmou Uson, ressaltando que o novo tratamento não só combate o tumor, mas também melhora a qualidade de vida dos pacientes.
O Onivyde atua bloqueando uma enzima responsável pela divisão do DNA celular, impedindo a multiplicação das células cancerígenas. Utiliza lipossomas, que são partículas de gordura, para transportar a substância no organismo, garantindo uma liberação mais lenta e controlada do medicamento.
Muriel Carvalho, diretora de oncologia da farmacêutica Servier do Brasil, que produz o Onivyde, comentou que a aprovação representa um marco importante para a oncologia no Brasil, atendendo a uma necessidade urgente no tratamento do câncer de pâncreas metastático.
O câncer de pâncreas é conhecido por ser difícil de ser detectado, resultando em diagnósticos tardios e altas taxas de mortalidade. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que entre 2026 e 2028, haverá cerca de 13,2 mil novos casos da doença por ano.
Fonte: VEJA
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