Análise de cientista político sobre pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro
Por Redação
24/07/2026 às 14:19

Foto: VEJA
Flávio Bolsonaro pediu desculpas a Michelle Bolsonaro em um movimento estratégico para recuperar apoio entre mulheres e evangélicos.
O pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vai além da tentativa de sanar desavenças familiares. Rafael Cortez, cientista político, destacou em programa que essa ação é um esforço estratégico para recuperar o apoio de segmentos eleitorais que o senador vem perdendo.
De acordo com Cortez, a campanha enfrenta desafios para manter unido o campo antipetista e o núcleo político da família Bolsonaro. Ele observou que os dados das pesquisas mostram que a questão de gênero impacta negativamente as intenções de voto de Flávio.
A presença de Michelle se torna central na campanha, pois busca alcançar dois grupos decisivos: mulheres e eleitores evangélicos, que demonstraram resistência ao senador nos últimos meses. Um levantamento da Ativaweb Data Lab indicou que o engajamento de Michelle nas redes sociais é cerca de quatro vezes maior que o de Flávio, apesar de ela ter menos seguidores.
Em um vídeo, Flávio reconheceu a relevância política de Michelle e pediu desculpas por desavenças recentes, afirmando que "ninguém é perfeito". Michelle respondeu aceitando o pedido e ressaltou que o objetivo pelo bem do povo supera desentendimentos.
Cortez avaliou que essa reconciliação surge após uma série de episódios que desgastaram a candidatura de Flávio. Apesar de uma leve recuperação nas pesquisas, ele acredita que a perda de apoio continua sendo um problema desde maio.
O cientista político sugere que essa reconciliação pode ajudar a reconquistar eleitores que estão indecisos ou propensos a votar em branco ou nulo. Ele também observou que a estabilidade nas intenções de voto do presidente Lula indica que os desafios enfrentados por Flávio são mais relacionados a questões internas da sua campanha.
Se Flávio conseguir recuperar parte desse eleitorado, a disputa presidencial poderá se tornar mais competitiva, semelhante ao cenário de 2022. Caso contrário, a vantagem de Lula tende a se manter.
Fonte: VEJA
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