Pressão dos EUA sobre o PCC e CV é vista como ameaça à soberania do Brasil
Por Redação
21/09/2026 às 16:33

Foto: VEJA
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, alerta para os riscos políticos das ações dos EUA no combate ao crime organizado no Brasil.
Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, manifestou preocupações sobre as ações do governo dos Estados Unidos em relação ao crime organizado no Brasil, afirmando que elas possuem um viés político que pode ameaçar a soberania do país. Em entrevista ao programa Ponto de Vista da VEJA, Sarrubbo relacionou a pressão dos EUA sobre facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho ao atual cenário eleitoral brasileiro.
Ele destacou que, até o momento, não houve mudanças significativas que justificassem tal pressão americana, citando a Operação Carbono Oculto como uma resposta adequada ao crime, que se concentra no combate ao fluxo financeiro das organizações criminosas. Segundo Sarrubbo, o Brasil tem avançado em suas políticas de segurança dentro de suas limitações.
Sarrubbo também indicou que as ações do governo de Donald Trump podem estar ligadas à busca por fortalecer governos de direita na América Latina. Ele expressou preocupação com as potenciais consequências dessas movimentações para a segurança pública no Brasil.
Durante a entrevista, ele mencionou investimentos realizados em sua gestão, como o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da criação de redes de combate ao crime organizado e escritórios específicos em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Ao ser questionado sobre a movimentação de drones dos EUA na América do Sul, Sarrubbo revelou seu receio de que operações americanas sem a colaboração brasileira possam comprometer a soberania do país, especialmente na região amazônica.
Ele criticou a designação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo americano, o que, segundo ele, pode abrir espaço para intervenções que afetem a soberania nacional. Sarrubbo defendeu a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado, desde que o Brasil esteja envolvido nas operações.
Sobre o relatório do governo dos EUA que critica o Brasil por não tomar medidas suficientes contra o PCC e o Comando Vermelho, Sarrubbo argumentou que essa pressão externa representa uma ameaça ao debate sobre políticas públicas brasileiras. Ele também mencionou o apoio de Trump a Flávio Bolsonaro como um exemplo de como essas declarações podem influenciar a política interna.
Em relação ao espaço que a segurança pública ocupa no debate eleitoral, o ex-secretário lamentou que o tema tenha sido ofuscado por discussões sobre o Supremo Tribunal Federal e criticou a predominância de propostas que focam apenas no aumento de penas, sem abordar medidas estruturais necessárias para o combate ao crime organizado.
Fonte: VEJA
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