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Consumo de canetas emagrecedoras cresce, mas mais da metade é irregular

Consumo de canetas emagrecedoras cresce, mas mais da metade é irregular

Por Redação

26/08/2026 às 08:43

Atualizado em 26/08/2026 às 10:59

Consumo de canetas emagrecedoras cresce, mas mais da metade é irregular

Foto: VEJA

Levantamento aponta aumento de 244% no uso de medicamentos GLP-1, com mais de 53% adquiridos no mercado informal.

O Brasil enfrenta uma situação alarmante relacionada ao uso de medicamentos para emagrecimento, especialmente os que contêm GLP-1, como semaglutida e tirzepatida. Um estudo da Scanntech revela que o consumo desses remédios aumentou 244% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, englobando tanto o mercado formal quanto o informal. Durante esse período, as vendas em farmácias cresceram 67%, mas o mercado não regulamentado teve um crescimento ainda maior.

No primeiro semestre de 2026, 53,8% das doses de GLP-1 foram adquiridas fora das farmácias legalmente estabelecidas. Este dado marca uma mudança significativa, já que pela primeira vez o comércio informal superou o formal. A metodologia utilizada pela Scanntech não mede diretamente as vendas no mercado informal, mas estima a quantidade de aplicações informais a partir do aumento nas vendas de seringas de insulina, que superaram as expectativas normais.

A perda da patente da semaglutida em março de 2026 contribuiu para a aceleração do consumo, permitindo a entrada de medicamentos mais baratos, o que pode ter atraído novos usuários e incentivado alguns consumidores a retornar às farmácias. Uma pesquisa realizada pela Scanntech mostrou que 37% das pessoas que nunca usaram canetas emagrecedoras estariam mais dispostas a fazer uso delas com opções mais acessíveis.

Além de influenciar o mercado farmacêutico, o aumento do uso de GLP-1 está mudando hábitos de consumo. O estudo indica uma queda em produtos associados a indulgências, como bebidas e itens de mercearia, enquanto itens relacionados à saúde, como alimentos frescos e suplementos, estão em alta.

A informalidade no comércio desses medicamentos representa um sério risco à saúde pública. A Anvisa tem intensificado os alertas sobre o perigo de adquirir produtos não regulamentados, que podem apresentar problemas de esterilização, dosagem errada e até falsificações. De 2018 até março de 2026, quase três mil notificações de eventos adversos foram registradas, muitas vezes associadas ao uso inadequado desses medicamentos. As apreensões de produtos irregulares também aumentaram drasticamente, de centenas em 2024 para dezenas de milhares em 2025, mantendo um ritmo crescente em 2026.

Fonte: VEJA

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