Avanços em tratamentos oncológicos preservam qualidade de vida dos pacientes
Por Redação
06/11/2026 às 06:00

Foto: VEJA
Novas medicações estão revolucionando o tratamento do câncer, permitindo a remissão da doença sem cirurgias invasivas.
Antes da contribuição da médica brasileira Angelita Habr-Gama (1933-2026) com o protocolo Watch and Wait, muitos pacientes com câncer de reto enfrentavam cirurgias drásticas que resultavam em amputações e na necessidade de colostomias permanentes. Sua abordagem inovadora mostrou que, em casos de resposta positiva à quimioterapia e radioterapia, era possível monitorar a condição sem intervenções cirúrgicas imediatas.
Recentemente, durante o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica em Madri, especialistas apresentaram resultados promissores de um novo medicamento que possibilita a remissão do câncer de reto avançado sem necessidade de mutilação intestinal. Essa imunoterapia, que ativa as defesas do corpo contra o câncer, foi testada em 154 pacientes com tumores que apresentavam alterações genéticas favoráveis ao tratamento. Após um ano de uso do dostarlimabe, 76% não mostraram mais evidências da doença, e 98 pacientes apresentaram a completa ausência de sinais da enfermidade após doze meses.
O oncologista Paulo Hoff, membro da Academia Nacional de Medicina, destacou que esse tratamento se alinha ao que a Dra. Angelita defendeu, permitindo a preservação do órgão em mais pacientes e melhorando a qualidade de vida. O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica GSK, recebeu aprovação acelerada da FDA, e sua autorização pela Anvisa no Brasil é esperada para o primeiro semestre de 2027.
Os avanços em oncologia, que começaram com o câncer de mama, têm proporcionado opções cirúrgicas menos invasivas, permitindo que muitas mulheres evitem cirurgias devastadoras. O oncologista Carlos Barrios comentou que a combinação de cirurgia, tratamento hormonal e quimioterapia é mais eficaz do que a extensão da operação em si, e cortar menos não implica em maior risco de recorrência da doença.
Embora em alguns casos, como o do câncer de bexiga, a remoção completa ainda seja necessária para evitar a disseminação do tumor, as inovações em imunoterapia trazem esperança de que essa realidade possa mudar. Assim, preservar o corpo também se torna sinônimo de preservar a vida.
Fonte: VEJA
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