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A corrupção se alastra em diversas esferas e a ética no país se encontra em estado crítico.
A percepção do cidadão brasileiro frente à corrupção que permeia setores públicos e privados é de que o país enfrenta uma grave metástase moral. A ética, que estuda o comportamento moral humano em sociedade, é um dos elementos mais escassos no Brasil atualmente, tendo sido debilitada a ponto de se considerar morta, sem luto ou lamento.
Essa degradação não pode ter afetado todos os envolvidos nas esferas política, econômica e financeira. É fundamental que ainda existam pessoas íntegras que se envergonham das ações corruptas e mantêm a probidade, um valor que deveria ser comum a todos. No entanto, as feridas na moralidade nacional permanecem abertas e sangrando, frequentemente reabertas por novas denúncias de corrupção.
Para que possamos iniciar um processo de regeneração da vida pública, é necessária uma conscientização coletiva dos brasileiros que se sentem envergonhados com a situação atual. É urgente provocar uma reflexão interna sobre a indignação e a necessidade de conter a ganância de indivíduos que perderam seu patrimônio ético.
A indignação deve ser o primeiro passo para a moralização dos costumes, seguida pela ação. Isso pode incluir inundar as redes sociais com protestos e exigir uma limpeza dos elementos corruptos do ambiente político para que não sobrevivam em uma sociedade saudável.
Devemos resgatar valores que eram ensinados de geração em geração, como a boa-fé e a honestidade. Esses princípios, que costumavam ser transmitidos pelas mães, estão se perdendo. A falta de respeito por regras simples, como a polidez e a gentileza, pode levar a uma erosão maior da moralidade, culminando em infrações graves e, eventualmente, em delitos penais.
É possível que já tenhamos ultrapassado um ponto de não retorno, mas ainda existe uma esperança. Essa mudança depende de cada um de nós, sem exceção. Precisamos ter a coragem de enfrentar um cenário desolador e não nos resignar a um futuro sombrio.
José Renato Nalini, Secretário Executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo, ex-Secretário de Estado da Educação e Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, é um defensor da ética em diversas áreas, tendo publicado vários livros sobre o tema.
Fonte: VEJA
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