
Foto: A Tarde
Um possível Super El Niño, semelhante ou mais intenso que o observado entre 2015 e 2016, pode causar danos que ultrapassam R$ 13 bilhões à economia da Bahia. A informação foi divulgada pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 21, em Salvador.
A Faeb destacou que esse fenômeno climático tem potencial para impactar a produção agropecuária, diminuir a oferta de alimentos, pressionar a inflação e aumentar os preços da cesta básica, a menos que medidas preventivas sejam implementadas. Além das consequências econômicas, o fenômeno pode gerar efeitos sociais, como migração e êxodo rural.
“O El Niño afeta diretamente o valor da cesta básica e a inflação. É fundamental que os impactos sejam compreendidos não apenas sob a ótica ambiental, mas também social e econômica”, alertou Humberto Miranda, presidente da Faeb. A preocupação é maior dado que 58 municípios baianos já estão em situação de emergência devido à estiagem.
Durante a coletiva, Humberto Miranda enfatizou a necessidade de ações estruturais para lidar com a seca, ao invés de respostas reativas. “Não podemos continuar apenas apagando incêndios quando a seca aparece. Temos aquíferos e o semiárido mais chuvoso do mundo. É preciso um planejamento efetivo”, afirmou.
Para isso, a Faeb enviou ao Governo da Bahia um ofício propondo um conjunto de ações organizadas em três etapas: pré-emergenciais, emergenciais e pós-emergenciais. Entre as sugestões estão:
- Instalação de poços artesianos já perfurados e inativos;
- Abertura de novas linhas de crédito para infraestrutura hídrica;
- Formação de estoques estratégicos de milho para alimentação animal;
- Aumento da assistência técnica;
- Fortalecimento do seguro rural;
- Investimentos em barragens e tecnologias para convivência com o semiárido.
A Faeb também indicou que diferentes cadeias produtivas podem enfrentar perdas significativas em caso de seca severa. Durante o El Niño de 2023/2024, a Bahia registrou a morte de mais de um milhão de animais devido à escassez de pastagens e água, resultando em um impacto econômico de R$ 1,13 bilhão. Outras atividades, como a produção de café e banana, também sofreram perdas expressivas, estimadas em R$ 339 milhões e R$ 210 milhões, respectivamente. Além disso, foram observados prejuízos em diversas outras culturas, como cebola, leite, laranja, milho, mandioca, feijão, castanha de caju e na apicultura.
A Faeb reforça que a implementação de medidas preventivas é crucial para mitigar os efeitos de um possível Super El Niño no agronegócio, impactando positivamente toda a economia baiana.
Fonte: A Tarde
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