
Foto: A Tarde
O Fortaleza está em processo de alteração de seu Estatuto Social para permitir a venda majoritária da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A mudança visa atrair investidores e reverter a atual situação financeira do clube.
O Fortaleza iniciou oficialmente os trâmites para modificar seu Estatuto Social, com o objetivo de permitir a venda de mais de 50% das ações de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A direção do clube, liderada pelo CEO Pedro Martins, busca uma mudança significativa em seu modelo de gestão, que atualmente mantém o controle total nas mãos da associação.
Desde a criação da SAF, inspirada no modelo do Bayern de Munique, o Fortaleza manteve 100% das ações sob controle da associação, com uma estratégia inicial de vender apenas uma pequena participação, entre 15% e 20%, a investidores estratégicos. Entretanto, essa abordagem não atraiu o interesse necessário, resultando em quase três anos sem aportes relevantes.
A situação financeira do clube, marcada por um orçamento apertado e dívidas crescentes, também motivou a revisão do modelo. A dívida total com empréstimos e mútuos chegou a R$ 78,1 milhões em 2024, e a falta de receitas da Série A, somada à saída de competições internacionais, dificultou ainda mais a situação financeira. Para manter a folha salarial em dia, o clube precisou cumprir metas esportivas na Série B.
Em junho de 2026, a consultoria Exa Capital apresentou um diagnóstico preocupante sobre a viabilidade econômica do clube, sugerindo que, sem a venda majoritária, a situação financeira para 2027 poderia se tornar insustentável. Diante desse cenário, a diretoria começou a defender a alteração no estatuto.
Para que a mudança ocorra, será necessário seguir um procedimento interno que envolve o Conselho Deliberativo e a Assembleia Geral Extraordinária, onde sócios-proprietários e sócios-torcedores adimplentes terão a palavra final sobre a venda das ações da SAF.
Mesmo com a possível venda majoritária, a associação Fortaleza Esporte Clube manterá mecanismos de proteção para salvaguardar aspectos históricos do clube, como direitos sobre nome, cores e símbolos, além da manutenção de uma participação acionária mínima de 10% para garantir presença nos conselhos da nova empresa.
Fonte: A Tarde
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