Dono da Voepass reconhece à PF conhecimento sobre falhas técnicas
Por Redação
08/08/2026 às 07:53

Foto: A Tarde
José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, confessou à Polícia Federal que estava ciente de uma cultura de omissão em relação a falhas na companhia. A declaração foi feita durante investigação sobre a queda do voo 2283, que resultou na morte de 62 pessoas em agosto de 2024.
José Luiz Felício Filho, presidente e proprietário da Voepass, admitiu à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma "cultura de omissão" em relação ao registro de falhas técnicas na empresa. Essa declaração foi feita durante um depoimento relacionado ao acidente do voo 2283, que ocorreu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024 e resultou na morte de 62 pessoas.
De acordo com o relatório da PF, diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) alertaram pessoalmente Felício sobre a prática de pilotos que deixavam de registrar problemas nos diários de bordo para evitar que as aeronaves fossem paradas. O relatório afirma que ele reconheceu essa cultura de omissão e a notificou como uma prática recorrente.
Felício Filho foi indiciado, junto com outros 15 profissionais, por atentado contra a segurança do transporte aéreo, agravado pela tragédia que resultou nas mortes. Os indiciados incluem diretores das áreas de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais.
No depoimento realizado em 4 de agosto, o empresário também admitiu que a aeronave PS-VPB decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo, em um dia em que havia previsão de formação de gelo severo. Ele reconheceu que a aeronave não deveria ter sido despachada para aquela rota nas condições em que se encontrava.
A investigação concluiu que a perda de controle da aeronave estava relacionada ao acúmulo de gelo e à falha do sistema de degelo.
Após o acidente, a Anac suspendeu as operações da Voepass em março de 2025 e cassou definitivamente os certificados de operador aéreo e de organização de manutenção da companhia em junho do mesmo ano. A Voepass declarou que a segurança operacional sempre foi uma prioridade e que tem colaborado com as investigações, aguardando os próximos desdobramentos processuais.
Fonte: A Tarde
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