Aumento da inadimplência de aluguel na Bahia pode resultar em perda de imóveis
Por Redação
27/08/2026 às 07:13

Foto: A Tarde
A inadimplência de aluguel na Bahia subiu para 4,83% em julho, refletindo a pressão financeira sobre as famílias. Especialistas alertam sobre o risco de perda do imóvel devido a dívidas acumuladas.
A inadimplência de aluguel na Bahia atingiu 4,83% em julho, um aumento significativo que tem preocupado especialistas e moradores. Este cenário é resultado da pressão financeira enfrentada pelas famílias, que têm dificuldades em manter as despesas relacionadas à moradia em dia. Além do aluguel, o atraso em outras contas, como taxas de condomínio, pode levar à perda do imóvel.
Durante o evento Superlógica Next 2026, realizado em São Paulo, João Baroni, diretor de Produtos da empresa, destacou que a inadimplência condominial já é superior à de produtos financeiros para pessoas físicas. Ele relacionou esse aumento ao impacto da inflação e das altas taxas de juros, que têm afetado a capacidade de pagamento das famílias.
Baroni explicou que, com o aumento das despesas essenciais, como água, luz e alimentação, os consumidores se veem obrigados a priorizar quais contas pagar. Isso faz com que muitos optem por quitar dívidas com bancos em vez de taxas de condomínio, o que pode resultar em consequências graves, como a perda do imóvel.
Comparando os dados de julho com os meses anteriores, houve um aumento de 0,21 ponto percentual em relação a junho, quando a inadimplência era de 4,62%. Em comparação a julho de 2025, quando a taxa era de 3,93%, o crescimento foi de 0,90 ponto percentual. Apesar de estar acima da média nacional de 3,05%, a inadimplência na Bahia ainda é levemente inferior à média do Nordeste, que é de 4,88%.
Os dados apresentados no evento revelaram que o Brasil tem 83,9 milhões de negativados, recorde histórico, e 6,3 mil pedidos de recuperação judicial, também em nível recorde. A inadimplência nos produtos financeiros para pessoas físicas foi registrada em 7,6%, segundo o Banco Central.
De acordo com Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o aluguel consome cerca de 33% da renda média das famílias brasileiras. A análise apontou que os imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1 mil apresentaram a maior taxa de inadimplência, alcançando 5,99% em julho. Nos imóveis comerciais, a taxa foi ainda maior, chegando a 7,27%. Isso mostra que famílias com menor renda estão mais vulneráveis a oscilações no seu orçamento mensal.
Embora a alta na inadimplência em julho seja um sinal de alerta, Gonçalves observa que é cedo para afirmar que há uma tendência de piora. Ele destaca a importância de monitorar a inflação e as taxas de juros, que afetam diretamente a estabilidade financeira das famílias.
Baroni também enfatizou a falta de informação sobre as consequências da inadimplência. Muitas pessoas não têm consciência de que deixar de pagar a taxa condominial pode levar à perda do imóvel. Ele recomenda que os moradores que enfrentam dificuldades financeiras procurem negociar suas dívidas com os condomínios, já que há um período de negociação amigável de cerca de seis meses antes que medidas judiciais sejam tomadas.
Portanto, a recomendação é que os inquilinos busquem soluções antes que a situação se torne crítica, para evitar a perda de seus lares.
Fonte: A Tarde


