Afastamentos por transtornos mentais no Brasil ultrapassam 4 milhões
Por Redação
30/10/2026 às 07:00
Atualizado em 30/10/2026 às 09:59

Foto: A Tarde
O Brasil viu um crescimento significativo nos afastamentos por questões de saúde mental, com mais de 4 milhões registrados em 2025. Embora a situação tenha apresentado uma leve melhora em 2026, os sinais de alerta permanecem.
A saúde mental no ambiente de trabalho tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente com o aumento de afastamentos registrados no Brasil. Em 2025, foram mais de 4 milhões de afastamentos devido a transtornos mentais e comportamentais. Entre janeiro e junho de 2026, o número caiu para 232.382, representando uma redução de 13,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, que contabilizou 267.690 afastamentos.
A médica Geiza Nuñez, diretora de Comunicação e Marketing Adjunta da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), explicou que o aumento dos afastamentos é resultado de múltiplas causas, que vão além das relações de trabalho. "O fenômeno é multifatorial, envolvendo precarização do trabalho e incertezas financeiras", afirmou.
Segundo a especialista, a ansiedade é a principal causa de afastamentos, seguida pela depressão. Fatores como pressão por resultados, jornadas excessivas e problemas de comunicação no ambiente de trabalho contribuem para o adoecimento mental. Além disso, problemas externos como dificuldades financeiras e isolamento social também afetam a saúde emocional.
Geiza alertou que a exposição prolongada a situações de pressão pode resultar em estresse crônico, prejudicando a saúde mental dos trabalhadores. "Esses fatores de risco psicossociais, quando persistentes, podem gerar sérios problemas", enfatizou.
Ela destacou que mudanças comportamentais, como irritabilidade e alterações no sono, são sinais de que a saúde mental precisa de atenção. É recomendável buscar ajuda profissional assim que esses sinais forem percebidos, pois a intervenção precoce aumenta as chances de tratamento eficaz.
Os trabalhadores que se afastam devido a transtornos mentais podem ter direito a benefícios previdenciários, desde que comprovada a incapacidade para o trabalho, conforme as exigências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O diagnóstico, por si só, não garante o benefício; é necessário apresentar documentação médica que comprove a incapacidade.
Para prevenir o adoecimento mental, Geiza defende que as empresas devem implementar mudanças concretas nas condições de trabalho, identificando e mitigando fatores de risco psicossociais. O acolhimento dos trabalhadores deve ser acompanhado de ações efetivas para melhorar o ambiente profissional.
A médica também comentou sobre a possibilidade de a geração Z ser mais afetada por estresse no trabalho, mas destacou que não existem estudos conclusivos que comprovem essa tendência. O importante, segundo ela, é focar nos fatores de estresse gerados pelo trabalho e não apenas nas reações individuais de cada trabalhador.
A saúde mental é fundamental no ambiente de trabalho, e tanto empregadores quanto empregados devem estar atentos a sinais de estresse e buscar apoio quando necessário.
Fonte: A Tarde
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