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Cascas, talos e sementes têm mais fibras do que a polpa de frutas e vegetais

Cascas, talos e sementes têm mais fibras do que a polpa de frutas e vegetais

Por Redação

30/10/2026 às 15:06

Cascas, talos e sementes têm mais fibras do que a polpa de frutas e vegetais

Foto: VEJA

Estudo revela que partes normalmente descartadas de alimentos podem aumentar o consumo de fibras e ajudar a combater o desperdício.

Cascas, talos e sementes de frutas e vegetais, frequentemente jogados fora, contêm mais fibras do que as porções que costumamos consumir. Essa foi a conclusão de uma pesquisa realizada por cientistas do King’s College London, no Reino Unido, que analisou o valor nutricional de partes normalmente descartadas de 12 tipos de alimentos. Os resultados foram divulgados na última quinta-feira, 29, na revista International Journal of Food Sciences and Nutrition.

Em 10 dos 12 alimentos estudados, as partes descartadas apresentaram maior concentração de fibras do que as partes comumente ingeridas. Um dos destaques foi a abóbora butternut, que apresentou 9,25 gramas de fibras a cada 100 gramas de casca e sementes. Em comparação, a casca da melancia teve 2,10 gramas por 100 gramas. A casca do abacaxi também se destacou, apresentando um teor de fibras muito superior ao da polpa.

Os pesquisadores explicam que isso se deve à função protetora das cascas e à estrutura fibrosa dos talos, que concentram componentes como a celulose, essenciais para as fibras alimentares. Exemplos de teores de fibras incluem:

  • Casca da melancia: 2,10 g de fibra por 100 g.
  • Casca e sementes da abóbora butternut: 9,25 g por 100 g, que pode fornecer quase um terço da ingestão diária recomendada de fibras.
  • Casca e miolo do abacaxi: 453,7% mais fibras do que a polpa.

A prática de aproveitar todas as partes comestíveis dos vegetais é conhecida como "root-to-tip" (da raiz à ponta) e é uma estratégia para reduzir o desperdício alimentar. O estudo também incluiu a análise da percepção de 40 participantes sobre o consumo integral dos alimentos. Os resultados mostraram que os benefícios nutricionais foram considerados mais relevantes do que a sustentabilidade.

Ainda assim, muitos participantes expressaram desconforto em consumir cascas, talos e sementes, apontando preocupações sobre a digestibilidade. Os pesquisadores sugerem que informar sobre os benefícios nutricionais pode ajudar a mudar essa resistência.

Os autores destacam que a ingestão média de fibras entre adultos britânicos é de apenas 16,4 gramas por dia, menos da metade dos 30 gramas recomendados. O consumo adequado de fibras está relacionado a um melhor funcionamento intestinal e à redução do risco de doenças como diabetes tipo 2 e algumas formas de câncer.

Apesar das promessas, os pesquisadores alertam que nem todas as partes dos vegetais são seguras para o consumo, já que algumas podem conter substâncias tóxicas ou resíduos de pesticidas. Portanto, a escolha, higienização e preparo adequado dos alimentos são essenciais. O estudo analisou a composição nutricional de alimentos crus e não comprovou diretamente que o consumo dessas partes aumenta a ingestão de fibras ou reduz doenças, sendo necessárias mais pesquisas sobre os efeitos do cozimento e a aceitação dos consumidores.

Fonte: VEJA

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