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Pesquisa com cerca de 17 mil pessoas revela correlação entre altos níveis de xilitol no sangue e risco cardiovascular. Especialistas alertam para a necessidade de mais investigações.
Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, realizado em 28 de agosto na Alemanha, associou altos níveis de xilitol no sangue a um aumento no risco de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A pesquisa, que envolveu cerca de 17 mil participantes, foi baseada em dados de duas grandes coortes: o Estudo Longitudinal Canadense sobre Envelhecimento (CLSA) e a Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer (EPIC)-Norfolk.
Os resultados mostraram que, na coorte canadense, as pessoas com níveis mais altos de xilitol no sangue apresentaram um risco 57% maior de morte, infarto ou AVC durante um acompanhamento de aproximadamente seis anos, em comparação com aqueles com níveis mais baixos. Na coorte EPIC-Norfolk, que foi acompanhada por até 30 anos, a associação foi de 18%.
Embora o estudo sugira que o xilitol, um adoçante natural presente em produtos como chicletes e iogurtes, possa ter efeitos negativos na saúde cardiovascular, os pesquisadores ressaltam que se trata de um estudo observacional. Isso significa que ele demonstra uma correlação, mas não estabelece uma relação de causa e efeito entre o consumo de xilitol e os eventos cardiovasculares.
A cardiologista Sarah Fagundes Grobe, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destacou que a pesquisa mediu o xilitol no sangue, o que não necessariamente reflete a quantidade consumida na dieta, já que o corpo também produz xilitol naturalmente. Portanto, um nível elevado de xilitol no sangue pode indicar maior produção interna ou maior consumo, ou uma combinação de ambos.
Os cientistas também investigaram se o xilitol poderia influenciar a formação de coágulos. Experimentos mostraram que o xilitol pode aumentar a responsividade das plaquetas, o que potencialmente eleva o risco de trombose.
A cardiologista Grobe aconselha cautela, ressaltando que, apesar das preocupações levantadas, não é necessário eliminar imediatamente o xilitol da dieta, uma vez que mais pesquisas são necessárias. Recomenda-se evitar o consumo excessivo deste adoçante, especialmente em produtos consumidos diariamente.
Ela também enfatiza que a saúde cardiovascular é influenciada por diversos fatores, e o foco deve ser um padrão alimentar equilibrado, priorizando alimentos in natura e minimamente processados, além de controlar peso, pressão arterial e colesterol.
Fonte: VEJA
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