
Foto: VEJA
Estudos mostram que diabetes e obesidade aumentam o risco de câncer colorretal, enquanto canetas emagrecedoras podem oferecer novas esperanças, mas ainda geram dúvidas.
O diabetes tipo 2 e a obesidade estão sendo reconhecidos como fatores que contribuem para o aumento do câncer colorretal, uma das formas de câncer que mais cresce entre jovens. Uma revisão de 66 estudos, abrangendo mais de 83 milhões de pessoas, indicou que a obesidade pode elevar o risco de câncer colorretal em média em 36%, variando de 25% a 57% dependendo da pesquisa.
Além disso, dados do UK Biobank apresentados em 2025 sugerem que o diagnóstico recente de diabetes tipo 2 aumenta a probabilidade de cânceres associados à obesidade, incluindo o câncer colorretal, mesmo considerando o peso corporal.
Ainda não há uma explicação clara para a conexão entre essas condições e o câncer de intestino, mas algumas análises indicam que a inflamação crônica provocada pelo tecido adiposo e alterações no microbioma intestinal podem estar envolvidas. Outros fatores, como o aumento da insulina circulante, também são considerados possíveis contribuintes.
O rastreamento do câncer colorretal é fundamental, especialmente para pacientes com diabetes e obesidade. As consultas médicas devem incluir a pesquisa de sangue oculto nas fezes, que é uma opção rápida e não invasiva, e a colonoscopia, que é o exame padrão para detectar lesões precoces.
No Brasil, o Ministério da Saúde está finalizando diretrizes para o rastreamento do câncer colorretal no SUS, prevendo a realização do teste de fezes a cada dois anos para adultos de 50 a 75 anos sem sintomas ou fatores de risco adicionais. A sociedade médica sugere que essa faixa etária seja antecipada para 45 anos, como já é padrão nos Estados Unidos, devido ao aumento de casos entre jovens.
Em relação às novas terapias, os agonistas do GLP-1, como a semaglutida, têm mostrado associações com a redução do risco de câncer colorretal, embora os resultados ainda sejam incertos. Um estudo de 2026 indicou que usuários de GLP-1 apresentaram 36% menos chances de câncer colorretal em comparação com os que usavam aspirina. Contudo, outros estudos apontaram que a semaglutida em altas doses poderia estar associada a um aumento no número de tumores.
No que diz respeito a pacientes já diagnosticados com câncer colorretal, algumas pesquisas sugerem que o uso de GLP-1 pode estar relacionado a uma redução na mortalidade em cinco anos, mas essas análises são observacionais e não estabelecem uma relação causal. Portanto, a decisão de utilizar essas medicações deve ser discutida entre o paciente e o oncologista, até que mais evidências sejam disponíveis.
Fonte: VEJA
Relacionadas
Cepa de sarampo em São Paulo tem origem nos EUA e Canadá, afirma ministro
15/08/2026 às 16:24
Por Redação
Mais Lidas


