Homem é sentenciado a 28 anos de prisão pelo assassinato de ialorixá na Bahia
Por Redação
15/10/2026 às 13:28

Foto: VEJA
Josevan Dionísio dos Santos foi condenado pelo homicídio de Mãe Bernadete, morta com 25 tiros em sua casa em agosto de 2023.
Na última terça-feira, 13, o Tribunal do Júri sentenciou Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como "BZ" ou "Buzuin", a 28 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete. O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e foi conduzido com base na acusação do Ministério Público da Bahia (MPBA).
O crime aconteceu em 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, onde a vítima foi alvejada com 25 disparos dentro de sua residência, na presença de três netos, com idades de 12, 13 e 18 anos.
Conforme a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Josevan cometeu o crime em conjunto com Arielson da Conceição Santos, a mando de líderes de uma organização criminosa atuante na área. O assassinato teria sido motivado pela resistência de Mãe Bernadete à expansão do tráfico de drogas no quilombo.
Investigações indicaram que Josevan entrou armado na casa, mandou os netos da ialorixá para um quarto e confiscou os celulares dos presentes. Após a recusa de Mãe Bernadete em se sentar, ele disparou o primeiro tiro. As provas coletadas incluíram depoimentos, dados de geolocalização dos celulares roubados e outros elementos que ligaram o réu ao crime.
Arielson também confessou sua participação, alegando ter agido em parceria com Josevan. O caso foi parte da Operação Pacific, que investigou a participação dos executores e dos que planejaram o crime. O MPBA atribui o assassinato à atuação de Mãe Bernadete contra o tráfico local e à remoção de uma barraca que, segundo a investigação, era usada para o comércio de drogas.
A condenação de Josevan representa a terceira responsabilização no caso. Outros acusados incluem Arielson, considerado executor, e Marílio dos Santos, conhecido como Maquinista, apontado como mandante do crime.
O homicídio de Mãe Bernadete gerou grande repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. Logo após o crime, a então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Rosa Weber, declarou que não esqueceria o caso e que o conselho continuaria a trabalhar por seu esclarecimento. Ela havia se reunido com a líder quilombola em julho de 2023, poucas semanas antes do assassinato.
Fonte: VEJA
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