Debate se transforma em espetáculo superficial, diz professor da USP
Por Redação
19/10/2026 às 14:06

Foto: VEJA
Luiz Alberto Farias critica o formato do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, que priorizou redes sociais em detrimento de propostas.
O debate presidencial realizado no domingo, 18, entre Lula e Flávio Bolsonaro foi considerado por Luiz Alberto Farias, professor de opinião pública da USP, como uma apresentação voltada mais para as redes sociais do que uma discussão substancial de propostas.
Em uma entrevista ao programa Ponto de Vista, Farias destacou que o formato atual dos debates tem se afastado da troca efetiva de ideias, o que pode afastar eleitores indecisos. Segundo ele, "os debates têm migrado para alguma coisa muito mais pão e circo do que efetivamente conteúdo".
Farias observou que os candidatos pareciam mais preocupados em capturar a atenção do público e gerar momentos impactantes para as mídias sociais. Ele notou que não houve uma confrontação real de ideias, pois ambos os candidatos desviaram das perguntas para temas que lhes eram mais convenientes.
O professor apontou que Flávio Bolsonaro demonstrou maior habilidade em aproveitar a dinâmica das redes sociais, chegando ao debate preparado para criar conteúdos que pudessem ser rapidamente compartilhados. Lula, apesar de sua experiência, teve dificuldades em controlar o tempo e o espaço do debate.
Farias criticou a tendência dos debates se tornarem eventos que priorizam a audiência, o que prejudica o aprofundamento das questões discutidas. Ele destacou que mais de 21% dos eleitores estão indecisos ou optaram por não votar, um grupo que pode ser mobilizado, mas que está sendo deixado de lado nesse novo formato.
Na visão do professor, os resumos e cortes feitos pelas campanhas nas redes sociais tendem a atingir principalmente os já convencidos, sem impactar aqueles que ainda não decidiram seu voto.
Para melhorar a situação, Farias sugere que os candidatos mudem suas abordagens nos próximos debates. Ele acredita que Flávio deve continuar com uma postura agressiva voltada para as redes, enquanto Lula precisa aprimorar sua preparação e manter a calma diante das provocações.
Além disso, o professor defende alterações no formato dos debates, lamentando a falta de foco em conteúdo e na discussão de ideias, algo que, segundo ele, era mais comum em encontros de décadas passadas. Recuperar esse enfoque poderia tornar os debates mais significativos do que meras competições por audiência nas redes sociais.
Fonte: VEJA
Relacionadas
Deputado Alfredo Gaspar processa Erika Hilton no STF por postagens sobre acusação de estupro
19/10/2026 às 14:14
Por Redação
Governo Federal anuncia auxílio extra para famílias com renda de até R$ 3.242
19/10/2026 às 14:00
Por Redação
Mais Lidas


