Câncer de mama: a importância do cuidado contínuo após a cirurgia
Por Redação
13/08/2026 às 14:00

Foto: VEJA
Uma pesquisa mostra que, apesar de 87% das mulheres saberem do risco de retorno do câncer de mama, apenas 39% conhecem o termo recidiva.
Nos últimos 30 anos, houve um esforço significativo para informar a população sobre a importância da mamografia, do autoconhecimento do corpo e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Embora muitas mulheres estejam cientes de que tumores detectados precocemente têm altas taxas de cura, a jornada não termina com a remoção do tumor. É crucial discutir os cuidados que se seguem à cirurgia.
Um estudo recente realizado pela Ipsos, a pedido da Novartis Brasil, destacou esse tema. A pesquisa revelou que 87% das mulheres no Brasil reconhecem o risco de o câncer de mama retornar. No entanto, apenas 39% sabem o que significa "recidiva", o termo médico utilizado para descrever o retorno da doença. Essa falta de conhecimento é preocupante, pois dificulta o engajamento das pacientes nos tratamentos subsequentes.
Mesmo após a cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, o risco de recidiva pode persistir por muitos anos. Para mitigar esse risco, são prescritos tratamentos complementares, conhecidos como adjuvantes. Esses medicamentos, embora não sejam a principal atração do tratamento, desempenham um papel fundamental em sua eficácia. O desafio, no entanto, é garantir que as mulheres continuem com esses tratamentos, que podem durar de cinco a dez anos.
Estudos mostram que apenas cerca de 50% das pacientes completam o tempo recomendado de terapia adjuvante. Entre os fatores que contribuem para essa taxa baixa estão o medo dos efeitos colaterais, a burocracia para renovação de receitas e a falta de comunicação com a equipe médica. Muitas pacientes enfrentam os efeitos adversos em silêncio e interrompem o tratamento.
A presença de equipes multidisciplinares é essencial nesse contexto. Cada paciente é única e merece um gerenciamento adequado do seu cuidado. No Brasil, a individualização e a adesão aos tratamentos são ainda mais importantes. Para pacientes com câncer de mama do subtipo mais comum (RH+/HER2-), o risco de recidiva varia, sendo que aproximadamente uma em cada três mulheres desse grupo é considerada de alto risco.
Atualmente, está em andamento a consulta pública nº 61/2026 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avalia a inclusão do medicamento Ribociclibe como uma nova opção de tratamento adjuvante para pacientes com câncer de mama inicial RH+/HER2- e alto risco de recidiva. Essa consulta é uma oportunidade para que pacientes, familiares e ONGs compartilhem suas experiências.
Por fim, é importante que todos os profissionais de saúde compreendam seu papel na melhoria da assistência ao câncer. O conhecimento sobre a jornada oncológica deve ser compartilhado entre diferentes especialidades, garantindo um atendimento mais completo e eficaz. A otimização dos tratamentos e o acesso a cuidados adequados são fundamentais para que o câncer de mama se torne uma questão do passado.
Fonte: VEJA
Relacionadas
Anvisa aprova Duvyzat, novo medicamento para distrofia muscular de Duchenne
13/08/2026 às 10:18
Por Redação
Mais Lidas


