Aumento das denúncias de assédio eleitoral no Brasil
Por Redação
06/11/2026 às 06:00
Atualizado em 06/11/2026 às 10:22

Foto: VEJA
Os registros de assédio eleitoral atingiram níveis alarmantes nas últimas eleições, refletindo uma polarização crescente na sociedade.
Desde o retorno das eleições regulares para a Presidência da República em 1989, o Brasil tem visto uma polarização acentuada entre candidatos de diferentes ideologias, especialmente entre o Partido dos Trabalhadores e as candidaturas de direita. Essa divisão não se limita apenas ao período eleitoral, mas se estende à vida cotidiana, afetando as interações sociais e o ambiente de trabalho.
Recentemente, o fenômeno do assédio eleitoral tem se intensificado, com um número recorde de denúncias. O Ministério Público do Trabalho registrou 4.340 reclamações relacionadas a esse tipo de assédio, sendo que mais da metade ocorreu após o segundo turno das eleições. Entretanto, estima-se que o número real de vítimas seja ainda maior, já que muitos não buscam a Justiça.
As denúncias variam, envolvendo práticas como reuniões em empresas para solicitar apoio a candidatos específicos, restrições ao exercício do voto, ameaças de demissão e fechamento de vagas de trabalho por motivos políticos. Igor Sousa Gonçalves, procurador do Ministério Público do Trabalho, explica que o empregador pode ser responsabilizado por danos morais e que trabalhadores demitidos injustamente por questões eleitorais têm direito à reintegração.
Casos como o de Betysa Valéria de Souza, que foi demitida sem justificativa aparente após ser monitorada nas redes sociais por sua posição política, exemplificam a situação. A administradora tem receio de enfrentar dificuldades para conseguir um novo emprego.
O Ministério do Trabalho e Emprego começou a alertar os trabalhadores por meio do aplicativo da carteira de trabalho digital, incentivando denúncias, o que resultou em uma média de 600 relatos diários desde o final de outubro. A polarização também impacta outras esferas, como a educação, onde um aluno de 16 anos foi alvo de bullying por apoiar um candidato de direita e acabou mudando de escola devido ao ambiente hostil.
Além disso, shows da dupla Jorge & Mateus foram cancelados após protestos nas redes sociais por conta de seu apoio ao ex-presidente Bolsonaro. Listas de empresas consideradas "petistas" também têm circulado em grupos de WhatsApp, promovendo boicotes. Essa tendência, descrita como calcificação por especialistas, revela uma sociedade dividida, onde a política influencia não apenas a vida pública, mas também as relações pessoais e profissionais.
Por fim, a situação de Hélio Domingos, um empresário que viu sua reputação ser afetada por ser associado ao "petismo", destaca como a polarização pode impactar negativamente a economia. O clima de rivalidade política continua a dominar, e a sociedade busca maneiras de superá-lo.
Fonte: VEJA
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