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Festa da Boa Morte em Cachoeira celebra tradição, resistência e sincretismo
Festa da Boa Morte em Cachoeira celebra tradição, resistência e sincretismo
Por Redação
15/08/2025 às 08:00

Foto: Foto: Reprodução/ GOV-BA
A Festa da Boa Morte, que acontece anualmente em Cachoeira, no Recôncavo baiano, remonta ao século XIX e é um dos mais importantes eventos religiosos e culturais do Brasil. Ela combina tradições católicas e de matriz africana, expressando com clareza a história de resistência das mulheres negras na Bahia.
A festividade popular começa no dia 13 de agosto, inclui missa, samba e serve-se comida. Nesta sexta-feira (15), o dia é dedicado a Nossa Senhora, quando acontece a grande procissão. A festa se prolonga até o dia 17.
Origem da festa
A Irmandade da Boa Morte é uma confraria religiosa afro-católica, composta por mulheres negras, muitas idosas, que são, principalmente, descendentes de escravizados, e que une tradição, resistência e elementos de crenças religiosas, misturas presentes e marcantes no estado. O historiador e professor Rafael Dantas explica ao bahia.ba que o grupo carrega uma história de mais de um século com elas.
“Depois de meados do século XIX, a festa se estabilizou na cidade de Cachoeira, após as integrantes da Irmandade serem expulsas de Salvador. A saída delas da capital marca um momento muito importante de recomeço nas terras do Recôncavo baiano. O contexto histórico reforça essa importância, já que o local era o grande palco das relações comerciais e culturais da Bahia daquele momento histórico e do início do século XX”, esclarece o pesquisador.
“Portanto, não é qualquer lugar: é o Recôncavo da Bahia. Isso é muito significativo de se destacar, especialmente pelos laços com as pautas raciais e religiosas, em uma região formada majoritariamente por homens e mulheres negras”, acrescenta.
Alforria de escravizados
As mulheres que formaram a Irmandade também tiveram uma importância fundamental no auxílio da alforria de escravizados durante o século XIX. Elas organizavam festas, rifas, doações e contribuições internas para arrecadar dinheiro. Esses recursos eram usados para comprar cartas de liberdade, especialmente para mulheres negras idosas, doentes ou sem condições de trabalhar para pagar a própria alforria.
Mais do que um gesto de solidariedade, essa prática tinha um sentido espiritual: garantir que irmãos e irmãs de fé pudessem ter uma “boa morte”, ou seja, morrer livres, com dignidade, recebendo os sacramentos e cuidados religiosos negados a tantos escravizados.
“A presença de irmandades tão importantes, como essa, insere-se nesse contexto. Não apenas a Boa Morte, mas outras confrarias também tiveram papel fundamental nesse processo de resistência, de compra de alforrias, de articulação social e espiritual, oferecendo caminhos de acolhimento e proteção em uma sociedade escravocrata. A palavra ‘acolhimento’ talvez seja central para compreender esse papel”, expressa o historiador.
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